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Actualmente é um dos actores do elenco principal de ‘Morangos com Açúcar’, onde interpreta o papel de ‘João Pedro’, mas antes da série juvenil da TVI, Rui Andrade já tinha um percurso invejável no que toca ao canto e representação. Quer saber um pouco mais sobre este actor que adora o mundo da música e que já tem nos palcos a sua segunda casa, então leia o que se segue.
Sei que começou aos 8 anos de idade a ter formação musical, foi uma iniciativa sua ou uma imposição familiar? Conte-nos um pouco sobre os primeiros passos da sua carreira… Confirmo... Comecei a ter formação musical aos 8 anos, por gosto meu, e com todo o apoio dos meus pais... Aos 8 também comecei a concorrer em festivais da canção espalhados pelo país, onde consegui excelentes resultados, o que aumentava ainda mais a minha vontade de seguir nesta área do espectáculo. Com a formação a decorrer, participou em vários Festivais da Canção onde, em alguns casos, atingiu os lugares cimeiros. Começou a sentir que, de facto, era aquele o seu caminho? Comecei a sentir que realmente o palco era a minha segunda casa... Era algo que me preenchia... Começou na música, mas conseguiu aliar a representação a essa área e estreou-se nos musicais. Como correu a primeira experiência num musical? Bem, por convite de uma companhia e academia do Porto, fui fazer um casting para o musical "José e o deslumbrante manto de mil cores", em 2003, casting esse que resultou na minha estreia em teatro musical, logo como protagonista... Foi uma experiência que marcou a minha vida até hoje... Tinhamos 300 crianças em palco, e ainda hoje por momentos me lembro dos minutos antes do espectáculo começar, e no carinho dado por todas essas crianças... A força, e admiração que existia nos olhos delas... Foi algo marcante mesmo... Depois disso foi um nome constante em projectos de Filipe La Féria, sente que para isto acontecer é porque tem feito um bom trabalho? Sinto que para isto acontecer, filtrei tudo, tudo, tudo, o que o Sr. Filipe me ensinou até hoje... Sou muito esforçado, e acho que tenho ficado sempre nos espectáculos dele, porque de certa forma consigo compreender o que ele quer... Se está satisfeito com o meu trabalho? Eu acho que ele está, mas ele melhor que ninguém o poderá dizer... Nestes mesmos musicais já foi o protagonista, como é o caso de ‘West Side Story’. Como se sentiu com essa responsabilidade acrescida de ter o papel principal? Senti-me ainda com mais força e com mais abertura para um projecto desta categoria... Vivi com o West Side, dos melhores momentos da minha vida... Foi uma peça que me marcou e marcará sempre... Sinto-me privilegiado por poder ter feito o Tony... E ter ganho o Globo de Ouro de melhor espectáculo do ano, sendo eu o protagonista... Costuma estar em cima do palco, mas sei que já encenou e produziu, em Amarante, o musical ‘Um Convite de Natal’. Estar por trás do palco a coordenar também é um fascínio para repetir? Estava atrás do palco e estava em palco também... Foi um projecto pequeno, sem grandes apoios, mas para mim importante pelo facto de poder reunir, cerca de 40 pessoas neste projecto... Pessoas que nunca talvez tinham sonhado estar a representar, mesmo que fosse um trabalho amador... Acho que para esse espectáculo dei tudo o que tinha a eles, para que todos eles brilhassem, e recebi o empenho e o carinho que esperava deles... Foi uma experiência excelente... Conseguiu trabalhar por Amarante nos primeiros anos de carreira, mas depois viu-se obrigado a mudar-se para Lisboa. Como foi a adaptação à capital? De Amarante, segui para o Porto para a faculdade... Foi difícil sair da minha terra já nessa altura... A partir do momento que comecei a trabalhar com o Filipe no Porto, perdi ainda mais o contacto com a minha terra, e posteriormente para Lisboa ainda mais difícil foi... Devo confessar que adoro Lisboa... Sinto-me muito bem cá... Se pudesse traria tudo o que me faz gostar tanto da minha terra para cá… Seria perfeito... Uma vez que num concurso realizado pelo programa ‘Você na Tv!’, conseguiu o primeiro lugar que lhe deu o privilégio de cantar ao lado de Rita Guerra no Coliseu dos Recreios, o que sentiu antes e depois do grande momento de estar naquela que é a maior sala de espectáculos de Portugal? Bom... Lá esta foi mais uma das oportunidades todas que já me surgiram e que eu adorei fazer... Lembro-me de segundos antes, me emocionar quando a Rita me apresentou, e sentir o apoio de todos os meus amigos e conhecidos que foram ao coliseu, muitos vindos do norte... Mas que se fizeram sentir naquela sala ao gritarem o meu nome e lembro-me de me arrepiar ao ouvir aquela vasta plateia a cantar o brincando com o fogo que foi a música que interpretei com a Rita... Depois de sair de palco, ficou a sensação de poucos, mas de muito bons minutos vividos naquele palco... Actualmente interpreta ‘João Pedro’ em ‘Morangos com Açúcar’, tendo o seu primeiro papel de maior destaque em televisão. Como foi parar à série? Fui convidado a fazer casting e testes... Fui seleccionado... Foi tudo muito rápido, mas ainda bem que assim foi e hoje cá estou a interpretá-lo. As gravações tiveram início no final do Verão. Dai até agora, como tudo tem corrido? Fui aprendendo tudo em relação à representação em televisão e está tudo a correr cada vez melhor penso eu, pelo menos sinto-me cada vez mais confiante. O que já aprendeu com todos os envolvidos neste projecto que já leva com sete anos. O público em geral tem a ideia de que um actor de ‘Morangos’ não faz muito, mas na realidade não é bem assim, quer mostrar a sua visão das coisas? Bem! Quer nos Morangos quer noutras novelas, há papéis e papéis. Esta é a minha primeira experiência em TV, portanto só posso falar desta. Para fazer o JP, tenho de me entregar por inteiro. Já fiz coisas e passei por coisas impensáveis para passar pelas situações a que o JP esteve sujeito... Não creio que seja assim tão fácil. Creio que nos Morangos se aprenda bastante para se poder trabalhar no futuro. Se esse aprender, soa a falta de profissionalismo ou entrega dos personagens, eu não creio que assim seja. Rui Andrade e ‘João Pedro’, o que têm em comum o actor e a personagem? O rosto e pouco mais! Sou muito mais reservado e calmo que o JP, tenho momentos de maior entrega a amigos e conhecidos. Adoro rir, adoro fazer rir, divertir-me, mas há momentos só para mim ou seja acho que sou um bocado o oposto do JP, o que torna este desafio ainda mais gratificante. Como tem sido a recepção dos fãs para consigo? Já era conhecido junto do público que vai aos musicais e agora o público em geral, e principalmente o mais juvenil, passou também a conhecê-lo. Como tem lidado com o carinho dos fãs? Reajo muito bem! Creio que o reconhecimento dos fãs é o reconhecimento do nosso trabalho e sem isso o nosso trabalho não faz sentido, ou melhor não estará a ser bem feito. Eu tento responder a todos os comentários, a todas as mensagens, a todos os sinais de carinho, por vezes é difícil porque a minha vida é muito cheia... Mas acho que quem tem de perceber percebe que quando eu posso eu respondo. Ainda é um jovem, mas ao ter um currículo do tamanho do seu, tem um futuro que se prevê alegre pela frente. O que ainda não fez no mundo do espectáculo, mas que acredita que será feito no futuro? Quero acreditar que no futuro saia para o mercado o meu CD... O CD de inicio de uma carreira só de cantor que é algo que ainda não tenho... Tenho de actor... Tenho de actor/cantor, mas realmente falta-me fazer estrada... Cantar para o meu público... Sente que a Cultura em Portugal ainda tem muito para caminhar no que toca ao mundo do espectáculo? Sem dúvida... Para já e cada vez mais se promove o que é estrangeiro e muitas vezes não se faz melhor em português por isso mesmo, mas creio que isto tende a melhorar. Acho que as coisas na nossa língua se começam a fazer de uma forma cada vez mais cuidada e profissional e creio que isso trará frutos. Já trabalhou com nomes de pesos nas artes representativas. Quem o marcou de forma mais forte e que é um marco na sua carreira? José Raposo é sem dúvida um dos nomes que mais me diz, um excelente actor na minha opinião, um excelente colega, uma excelente pessoa. Acho que aprendi com todos os consagrados com quem já trabalhei... Gonçalo Salgueiro, Carlos Quintas, Joel Branco, Vera Mónica, Anabela, José Pinto, Lúcia Moniz, Noemia Costa, Paula Sá, etc... Um conselho para quem quer seguir pelo mundo dos palcos… Sonhar! Sonhar muito! E lutar ainda mais! Só assim se consegue romper, por vezes nem se consegue entrar, mas pelo menos rompemos para ficar a assistir a este mundo tão difícil na "primeira fila". Ricardo Trindade |