Herman José começou a sua carreira televisiva na RTP, mais tarde foi para a SIC, a convite do amigo Emílio Rangel, de onde saiu em 2009 em ruptura. Recebeu um convite de José Eduardo Moniz para apresentar o ‘Nasci P’ra Cantar’, o qual não recusou, e afirma ter ficado apaixonado por este canal. Veremos o que nos revelou Herman José.
Quem é o Herman?
Um cinquentão irritantemente normal.
Como foi esta sua entrada no mundo dos artistas?
Automática. Desde os quatro anos que não sei fazer outra coisa que não seja cantar, tocar, animar, divertir, comunicar.
Recentemente, no programa do Carlos Alberto Moniz, "Portugal Sem Fronteiras", o apresentador mostrou-lhe uma estrela de outros tempos. Depois de tanto tempo nesta profissão, recuava alguns anos para mudar alguma coisa? O quê?
Gostava de voltar atrás 20 anos sabendo o que sei hoje. Decerto quebraria esta normalidade emigrando. O estado português não se aconselha a ninguém!
Os melhores tempos do Herman foram na RTP?
Sem dúvida. A SIC revelou-se um tumor maligno com metásteses.
Como se sente quando três dos seus programas da RTP estão entre os cinco melhores programas de sempre do canal público?
Orgulhoso. Recentemente, reapaixonei-me pela “Herman Enciclopédia” cuja segunda série vai ser lançada em DVD no dia 3 de Dezembro.
O que é que sente quando vê este video http://www.youtube.com/watch?v=95OSzMXy2vw&feature=related ?
A canção de despedida da RTP... Sinto o mesmo que o Pedro Santana Lopes deve sentir por ter trocado o lugar de presidente da câmara de Lisboa pelo de primeiro-ministro aquando da saída do Durão Barroso. Um erro histórico e irreparável.
Gostaria de fazer o programa ‘Tal Canal’ nos tempos actuais?
Não. O Herman dos trinta anos já não existe. O meu campeonato é outro. Nem melhor, nem pior, diferente.
A sua saída da SIC foi muito noticiada e comentada pela imprensa. Saiu magoado da SIC?
Não me magoa quem quer, só quem eu deixo. E no caso da SIC, não dou essa alegria aos medíocres que me tentaram fazer mal. A minha vida contínua activa, brilhante e muito útil.
Recentemente a SIC comemorou o seu aniversário, ficou triste por eles não falarem do Herman? Compreende Emílio Rangel, quando ele disse que na SIC apagam o passado?
Tentaram convidar-me para um depoimento. Recusei liminarmente.
É possível voltar à estação de Carnaxide com esta ou outra direcção de programas?
Voltarei aos seus estúdios no dia em que sua direcção volte a cair em boas mãos.
Que boas recordações guarda dos tempos em que esteve na SIC?
A colaboração com dois directores de programas maiores: Emídio Rangel e Manuel da Fonseca.
E as más?
A pior de todas, foi a morte do ‘HermanSIC’.
Saiu da SIC e passado pouco tempo foi para a TVI, como surgiu o convite? O que sentiu quando o chamaram?
Nunca deixei de ter contacto com o José Eduardo Moniz. O convite foi previsivel – tratou-se de um amigo a convidar outro para um desafio.
Gostou de fazer o ‘Nasci P´ra Cantar’?
Adorei, apesar de me ter estragado as férias de Verão! (risos)
Com o final do programa, o Herman voltou a ficar livre no mercado televisivo. Gostava de ter permanecido na TVI?
Infelizmente, a minha agenda de espectáculos, não me permitiu ficar ao serviço de uma televisão.
Alguma vez se sentiu usado por uma televisão?
Ninguém obriga ninguém. Só se deixa usar quem quer.
Em Portugal há espaço para um Talk-Show em horário nobre?
Espaço há não sei é se haverá público que o justifique.
Passou pela RTP, SIC e TVI. Dos três canais generalistas onde se sentiu em casa?
Tal como o Marco Paulo, tenho dois amores: RTP e TVI.
Têm surgido propostas da RTP para regressar? Se sim, quais?
Este é o meu único tema tabu. O segredo é a alma também deste negócio.
Qual foi o programa que lhe deu mais gosto de fazer ao longo dos seus anos de televisão? Qual o que lhe deixa as maiores recordações?
O ‘Herman 98’ no teatro São Luiz. Aquele que eu considero – modéstia à parte – o melhor talk-show da televisão portuguesa do pós 25 de Abril.
Neste momento o Herman sente que é uma aposta viva no mercado televisivo ou, pelo contrário, sente que, tal como você, também os directores de programas o querem ver no descanso por uns tempos?
Confesso que esta é uma paragem importante. Há 19 anos que não saía do ar.
O Herman é um rosto que se tem encaixado em vários tipos de fazer televisão. Ainda sente que lhe falta fazer algo no pequeno ecrã?
Falta-me fazer muito. Tenho hoje em dia um conhecimento e uma prática, que têm muito por onde ser explorados.
Pela televisão nacional, existem muitas caras da comunicação. Para si quais são os melhores comunicadores deste momento? Destaque-nos algumas das figuras televisivas dos dias de hoje.
Adoro o professor José Hermano Saraiva e o José Rodrigues dos Santos.
Se fosse convidado para ser um dos rostos de um novo programa de horário nobre e tivesse que ajudar a escolher um nome para estar ao seu lado, qual o nome feminino e masculino que elegia da actual oferta?
Posso dar-lhe uma longa lista dos que não escolhia.
Considera que a televisão ficou mais pobre com a ausência de José Eduardo Moniz?
Sem dúvida. Mas acredito que não seja por muito tempo.
Três canais generalistas, três directores. Onde está a melhor oferta? A melhor estratégia? O melhor pulso de liderança de equipa?
Cada dia é um dia. É muito difícil generalizar.
Hoje em dia nas ruas, como é que as pessoas o abordam? Ainda o reconhecem como sendo a Super Tia, o Tony Silva, o Maximiliano, o Diácono de Remédios, o Lauro Dérmio, o Nelo, o Estebes ou a Dra. Rute de Remédios?
A ver pelos meus espectáculos, as minhas personagens estão mais vivas do que nunca.
O Herman tem vindo a desligar-se do ecrã e a dedicar-se aos seus espectáculos ao vivo. Como estes estão a correr?
Melhor do que nunca.
Se lhe pedisse para resumir a sua carreira em poucas linhas, como a resumia?
Um persistente e talentoso lutador solitário.
Diogo Santos e Nuno Pereira
Comente esta entrevista no fórum do site, em...
http://novelasnacionais.com/forum/index.php/topic,262.msg315427/topicseen.html#msg315427