
Antes de mais obrigado por ter aceite o convite.
- Com todo o gosto.
Tornou-se conhecido pela sua participação em "Inspector Max", onde interpretou 'Edgar', foi o papel mais marcante da sua carreira?
- Foi o mais longo, durou mais de 2 anos. Foi muito divertido, trabalhámos com imensos actores, quase todos. Ficou na memória de muita gente, e do público também. Mas o papel que me deu maior prazer em televisão, foi sem dúvida, o Pedro Valente, na Doce fugitiva. Tinha total liberdade para criar, e o trabalho com alguns colegas, foi inesquecível, como aconteceu por exemplo com a Maria João Luís.
Contracenou principalmente com o actor Quimbé, essa amizade saltou para fora do ecrã?
- Já éramos amigos antes, e continuámos muito amigos. Infelizmente já não nos vemos com tanta frequência.
Seguiu-se "Câmara Café" na RTP, foi bom ter mudado de personagem ao fim de dois anos no "Inspector Max"?
- Foi outro papel muito divertido. Tive pena que não tivesse a projecção em Portugal como teve nos outros países, em que sempre foi um sucesso. Aqui os horários e a estreia da série, não foram as melhores.
Fez uma participação em "Uma Aventura - No caminho do Javali", onde interpretou um inspector, deu para "matar saudades" do 'Edgar'?
- Foi apenas uma participação.
Como foi contracenar com jovens quase estreantes?
- Desde que sejam profissionais. Acho que há espaço para todos, e assim todos temos algo para aprender.
Em "Doce Fugitiva", interpretou 'Pedro' mais uma vez uma personagem cómica, não gostava de experimentar outro género de registos?
- No teatro já fiz chorar as pedras da calçada. Faço todos os registos com a mesma segurança. Infelizmente os rótulos por vezes falam mais alto.
Como foi abraçar este projecto a longo prazo?
- Inesquecível. A nível de criatividade, e de trabalho de equipa. Todos os envolvidos, falam do projecto com grande ternura.
Gostava de voltar às novelas?
- Gostava. Gostava de fazer de mau da fita. O público ia de certo ficar agradavelmente surpreendido.
Vamos poder vê-lo brevemente em acção?
- Espero que sim. Actualmente estou em digressão pelo país com o espectáculo Aparências, encenado por José Boavida. Com Oceana Basílio, Guilherme Barroso e Vera Fontes. Estou a preparar também outra peça como encenador.
Voltando aos seus personagens nas curtas participações que fez em "Casos da Vida" e "Liberdade 21" interpretou personagens de cariz cómico, sente que está catalogado neste registo?
- Um pouco, e tento fugir disso, acredite. Mas quando um papel está escrito com determinado perfil, pensa-se logo quem é que já fez algo parecido e que pode cumprir com esse trabalho. Há muito medo de arriscar.
Até agora qual foi a personagem mais desafiante da sua carreira?
- Foi no teatro, na peça "Ás Vezes Neva Em Abril" encenado por João Lourenço. Uma peça muito violenta que marcou todos os envolvidos. Na televisão, talvez tenha sido o "Mustang" de Leonel Vieira. Mas levo todos os trabalhos muito a sério, por isso todos deixam a sua marca, todos são desafiantes .
Quem foi o actor com quem teve mais gozo em contracenar? E porquê?
- Contracenei com grandes actores, não só portugueses como estrangeiros, como por exemplo a Eva Wilma, ou o Gerard Depardieu. Em Portugal com a Eunice Munoz , na " Madame", Fernando Luís, no Inspector Max, Rui Luiz Braz no "Alves dos Reis", mas o maior prazer foi com a Maria João Luís. Uma pessoa até fica desconcentrada, só de a ver representar. Foi um fartote de rir durante 7 meses de trabalho. É uma grande actriz.
A SIC e a RTP estão agora a apostar na ficção nacional, enquanto actor sente que o vosso trabalho está a ser reconhecido?
- Acho que a RTP e a SIC, procuraram sempre ter alguma qualidade nas apostas de ficção que fizeram. Participei em trabalhos da RTP que foram premiados no estrangeiro, como por exemplo o Alves dos Reis, ou o Processo dos Távora. Mas é tudo muito complicado quando se pertence a uma classe mal reconhecida, sem apoio estatal, nem estatutos que sejam claros para as empresas empregadoras. Se não há lei nem roque, aparecem inevitavelmente injustiças. E ainda em alguns casos prefere-se quantidade à qualidade, o que não é compatível com um bom processo criativo.
Para finalizar uma mensagem para o Novelas Nacionais e para os seus fãs...
- Eu não escolhi esta profissão pela fama, e certamente não pelo dinheiro. Escolhi esta profissão para servir, divertir e partilhar com vocês todos, o público, aquilo que eu mais gosto de fazer que é representar. Se no processo, vocês reconhecem o meu valor artístico, então é quanto basta para me sentir realizado e profundamente agradecido. Obrigado.
Ricardo Neto
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