Capítulo III
[Casa da Família Tavares]
Teresa – Quantas vezes é que eu já te disse que não te quero o dia inteiro à frente do computador.
Carlos – quantas vezes é que já te disse que a Internet é o principal meio de comunicação com o mundo? Não queres que o teu filho seja anti-sociável …
Pedro – Há uns anos atrás, para conhecer pessoas ainda ia para a rua mas parece que os tempos mudaram muito…
Carlos – Por favor. Não me dês lições de moral, porque se tu quiseres que eu siga os teus passos Pedrinho, coitada da mamã… É que não és exemplo para ninguém pois quem faz as asneirinhas que tu fizeste e ainda fica impune…
Teresa – bem, vamos mudar de assunto. Segunda começam as aulas, não… - mas Pedro já tinha saído batendo a porta.
[Parque, Pedro andava desvairado, acabando por se sentar à beira rio. Alguém se aproxima]
Cintia -Quem não recorda o passado está condenado a repeti-lo.
Pedro – cão que ladra não morde, quem tudo quer tudo perde… provérbios! O que interessam para a vida real?
Cíntia – se alguém o inventou é porque alguém já passou por isso, tal como tu!
Pedro – E o que sabe de mim para estar para aí a dar palpites?
Cíntia – sei o teu passado, o teu presente e o teu futuro!
Pedro – uauh! E agora vai cobrar-me dinheiro para me ler a sina, senão roga-me uma praga?
Cíntia – não é preciso ler as cartas, ou ver uma bola de cristal… sei tudo sobre ti, como sei sobre qualquer outra pessoa… Porque os actos do presente, reflectem o futuro…
Pedro – é Deus agora quer ver? A seguir vais ser o que? Madre Teresa de Calcutá? Lady Di? Almeida Garret?
Cíntia – Pedro. Tens um irmão, vives com a tua mãe e não queres recordar o teu passado…
Pedro – uma velha caquéctica, com ar de pobre, possivelmente vive na rua e é das típicas mulherzinhas que faz chazinhos para todas as doenças. E sim sou o Pedro.
Cintia – Cintia – mas quando Pedro olhou, esta já tinha desaparecido.
[Dois dias depois, escola]
Carlos – olha quem é ele, o meu velho amigo. Então, recomposto das últimas aventuras do ano passado?
Filipe - parece que ficamos novamente juntos… e podes ter a certeza que estou mais que preparado para a desforra.
Carlos – e a idiota da tua irmã já chegou, não chegou? Vem em quase todas as os sites. – mal acabou de dizer isto Filipe saltou para cima dele, começando a lutar.
[Mansão Ribeiro de Caldas, telefona toca e empregada atende. Menina ‘Matilda’!]
Matilde: o que foi agora? Caiu outra torre, morreu mais algum pobrezinho d’ África?
Empregada – Estão ao telefone da escola a pedir que a menina vá à escola do seu irmão. Parece que é urgente…
Matilde – Agora tenho um irmão que voltou para a primária? Oh God! E o meu pai, a Rita o que estão a fazer? Só a mim! Nem imagino o que vou ter que fazer para ninguém me reconhecer… A vida é tão injusta!
[Empresa Ribeiro de Caldas]
Pedro – Dra. Rita peço imensa desculpa mas vou ter que sair. O meu irmão teve um problema na escola e precisa da minha ajuda.
Luísa – esse devia ser o papel da sua mãe e não seu. Não fica muito bem a um estagiário que esta aqui por cunha faltar logo no primeiro dia de trabalho.
Pedro – Desculpe mas agora não tenho tempo para discutir sobre questões de ética moral, talvez quando a Dra. perceber que quem não recorda o passado é condenado a repeti-lo. – deixando Pedro a pensar no que disse e Rita de boca aberta.
[Escola: Matilde chega com João com um lenço na cabeça e óculos de sol caminhando para dentro da escola, enquanto Pedro entra para a sala do Director]
Matilde – Vamos lá ver o que o meu maninho fez desta vez.
[Sala do Director depois de um longo sermão]
Director – este comportamento é inadmissível! Não quero que se volte a repetir. Agora podem sair. Mais tarde serão informados do devido castigo! – Saindo Pedro, Matilde, João, Filipe e Carlos.
[Corredor]
Matilde e Pedro – já viste a vergonha que me fizeste passar? O que te deu para fazer aquilo? – Após terem dito isto ao mesmo tempo olharam-se fixamente.
Matilde – Filipe eu sei que tu não te metes em confusões… a culpa deve ter sido daquele selvagem, marginal…
João – Ele mora à beira rio? – disse João com ar indignado
Matilde – eu nem sei como tu consegues ser bom agente…
Pedro – desculpe mas você pensa que está a falar com quem?
Filipe – ‘Matilda’ vamos para casa. Não temos que aturar estes…
Carlos – estes quê pá? Deves crer lebar mais de certeza.
Matilde – Ai que horror essa linguagem… - disse escandalizada
Carlos – Pessoal! Está aqui a ‘Matilda’ venham ver – disse com ar de satisfação, bem alto.
[Ao ouvir, uma multidão de alunos vem a correr, o que faz Matilde correr pela escola fora pegando nos seus saltos altos, acabando por se esconder por detrás de um arbusto quando alguém aparece]
Cíntia – Fugir nunca é solução… mas há casos em que não há outra solução…
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