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Quarta, 23 Julho 2008 14:03 |
Há cerca de dois anos, deparamo-nos com uma novidade que nos deixou surpreendidos e apreensivos. Ruth Marlene apresentava o seu novo amor, João Miguel, desconhecido das luzes da ribalta, era de súbito apresentado ao país como o amor da sua vida, pouco tempo depois de se terem apaixonado. E, sem ninguém esperar, este namoro repentino dava lugar ao matrimónio; e o que se julgava um simples “affaire” transformava-se em casamento
Despertaram na crítica opiniões e nas revistas notícias “típicas” de novos romances – os podres da relação. Mas sobretudo, e mais intensamente, instigaram desagrado e revolta aos familiares, que depressa se opuseram ao casamento e se afastaram de Ruth – havendo uma mudança radical e inesperada. A família, que sempre fora o núcleo da carreira de Ruth Marlene – a mãe era agente, o pai motorista, etc. – e, com toda aquela alteração apressada, João tornou-se o empresário da cantora.
A luta pela paixão fazia os pombinhos acreditar que iriam sobreviver a tudo, que conseguiriam aguentar-se, sem precisar de nada nem ninguém. Pois, é bom sonhar, mas a realidade não é tão “cor-de-rosa” como se pensa. A carreira de Ruth adormeceu; e, sem o apoio incondicional da família, com que agora a cantora não se relacionava, a sua música deixava de ser única, para passar a ser mais uma. A procura pela independência deixava-os à sua sorte, num mundo do espectáculo que João não estava preparado para gerir.
Houve silêncio, com meras notícias casuais em relação a este romance, e à proximidade (ou não) entre a cantora e a família. Contudo, dois anos passados, aquele amor que ambos diziam ser inquebrantável, era mesmo quebrado; e Ruth Marlene divorcia-se e volta ao seu nome de solteira. Sendo João a aparente causa da briga familiar, há uma reconciliação, há muito desejada – e uma nova vontade, de regressar em força à sua carreira musical.
No entanto, tal como Cláudio Ramos, eu questiono-me quanto ao facto de todo este desenlace brusco não será uma jogada para “vender” concertos… Pois, não passa de uma mera especulação, e a dúvida irá persistir. E agora esperamos, uma nova voz, uma nova alma, uma nova Ruth, que traga ao seu público a paixão que a antiga transmitia. Para no final podermos afirmar, que todo este espectáculo apaixonado e esta perda de cabeça poderão ter valido a pena.
Chego também a outra conclusão. Todo este desaire da cantora teve por base a ânsia desmedida de independência, que acabou por encontrar, mas não saber utilizar. E eu ouso acrescentar e deixar no ar uma simples questão: Para termos a nossa independência precisamos de deixar tudo e todos para lutarmos sozinhos?; Ou apenas ter consciência das decisões que só dependem de nós, e saber quando precisamos de um tempo connosco próprios? Mais uma pergunta fica, mais uma dúvida que dá que pensar.
Sara Quelhas |